Maria Ieda Conczviz Noriega[1]
Para iniciar a minha primeira contribuição gostaria de colocar alguns pontos que acredito serem de primordial importância para que possamos realizar a construção de um mini-museu virtual ou clube de relatos sobre a nossa escola parceira, a Escola Estadual Nossa Senhora do Rosário. Para tal pretendo levantar pontos referentes às questões como História e Memória e a partir daí fazer a relação com a comunidade onde a escola está inserida.
Primeiramente gostaria de levantar pontos sobre o que é História. A definição tradicional de que é História é de que se trata de uma ciência que estuda os fatos realizados no passado. Esta definição apesar de ser limitada e bastante equivocada ainda continua sendo ensinada e reproduzida em diversas escolas brasileiras. Particularmente acredito na necessidade de se superar esta visão, pois esta impossibilita o protagonismo dos sujeitos tratando a História como se fosse algo realizado há muito tempo atrás por “seres iluminados”. Por isso acredito ser pertinente que encaremos a História como sendo produto das relações humanas, onde estes homens são seres comuns.
Portanto a História é construída diariamente não só por pessoas iluminadas, mas por todos nós. Desta forma poderemos compreender que todos nós somos agentes da construção história. Assim teremos a possibilidade de valorizar não só a História dos grandes feitos, mas também a História das comunidades locais, dos usos e costumes destas comunidades de forma a compreender melhor a nossa própria trajetória e da escola onde nós como educadores estamos inseridos. Historiadores como Eric Hobsbawn, E. P. Thompson, Paul Veyne e Norbert Elias contribuíram muito para a popularização da História.
Nesta visão mais democrática de História outras metodologias começaram a ganhar força, no sentido de cada vez mais possibilitar o conhecimento sobre comunidades que antes não recebiam atenção dos historiadores acadêmicos. Esta metodologia a que me refiro é o da história oral, onde através do uso de entrevistas se podem contar as experiências, usos e costumes destas comunidades. A partir daí podemos realmente dar voz aos excluídos da historiografia e assim valorizar a memória destas comunidades. Muito que raramente estas comunidades deixam algo escrito, por isso que muito da memória desta história regional acaba se perdendo. A história oral está diretamente ligada à manutenção e divulgação da memória destas comunidades, portanto se trata realmente da democratização do acesso ao conhecimento histórico. Como grande contribuinte para a difusão desta metodologia pode-se citar o historiador britânico, não acadêmico, Paul Thompson.
Através destas breves considerações espero ter podido lançar alguns elementos que nortearão a realização de nossas atividades histórico-memorialísticas sobre a comunidade onde nossa escola parceira está inserida. Acredito que o eixo norteador de nossas atividades deve ser o de democratizar a construção do conhecimento histórico, de forma a valorizar os usos e costumes da comunidade em questão. Desta forma estaremos realmente contribuindo para a democratização do conhecimento histórico.
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